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Trauma e luto impossível: sobre a clínica contemporânea dos pacientes limítrofes Psicanálise Contemporânea
Este trabalho consiste numa discussão sobre o destino do objeto nas patologias limítrofes diante das dificuldades envolvidas nas relações primárias com o objeto absolutamente necessário no início da vida psíquica. Quando este objeto falha sucessivamente em desempenhar suas funções adequadamente, em um momento muito primitivo de despreparo subjetivo, a constituição psíquica é marcada por traumatismos primários que impedem o luto e o trabalho do negativo estruturante, ocasionando negativizações que desorganizam o interior do aparelho psíquico e impedem a construção de um espaço de ausência fecundo para o surgimento de representações que estruturam o pensamento. Enquanto a clivagem consiste em uma saída negativizante mal-sucedida nestas patologias, a idealização, por sua vez, é uma estratégia defensiva que confere ao objeto uma posição inacessível, rígida e fixa, ação que entrava o trabalho de luto, resultando, assim, no entupimento do espaço pessoal e na obstrução do pensamento.